Boa iluminação faz toda a diferença no Ambiente!
Os efeitos visuais da iluminação vêm sendo estudados a mais de 500
anos e há registros de que Leonardo da Vinci escreveu sobre ruas
iluminadas. Com a introdução da iluminação à gás e a luz elétrica, em
meados de 1800, o estudo dos efeitos visuais da iluminação começaram a
ser mais práticos. De lá pra cá, todos os esforços foram focados em
projetar ambientes melhores iluminados. Com a recente descoberta, no ano
de 2002, de uma nova célula fotoreceptora no olho que controla os
efeitos biológicos da luz e da escuridão, foi possível entender que a
boa iluminação tem influência positiva no bem-estar, no desempenho, na
produtividade e até na qualidade do sono. Isso significou também que os
parâmetros de boa iluminação precisavam ser revistos.
É importante
que arquitetos e engenheiros tomem consciência de que o desenho da
iluminação pode incidir negativamente na qualidade da visão de crianças,
adultos e, principalmente, dos idosos. Assim como se fazem adaptações
em um espaço físico para atender a quem tem problemas de locomoção,
também é preciso criar soluções para a boa iluminação, que ajuda não só a
ver melhor, mas também a auto-confiança e autonomia. A cor da luz, por
exemplo, representa um papel de destaque: uma luz um pouco azulada dá a
impressão fresca, que é frequentemente agradável e estimulante, enquanto
uma luz avermelhada dá uma impressão morna que pode ser experimentada
como aconchegante.
O que é uma boa iluminação?
Para
começar, podemos resumir o funcionamento da visão: a luz refletida em
um objeto passa pela córnea do olho; o cristalino é ajustado para
focalizar os raios de luz, que chegam então à retina, onde milhões de
células sensíveis à luz interpretam esses raios e transmitem a imagem ao
cérebro. Deu para perceber a importância da luz nesse processo, certo?
De qualquer forma, a boa iluminação depende sim, do tipo de luz com a
qual cada pessoa se habituou a viver e se ela é portadora de problemas
de visão. O que é afetada comumente pela presença maior ou menor de luz é
a percepção visual. Isso pode fazer com que o cérebro interprete de
forma diferente os dados que chegam até ele. Com mais luz, por exemplo, é
possível perceber mais cores, o que sempre é mais confortável.
E
com o avanço da idade, as pessoas enxergarão melhor as letrinhas se
tiverem mais contraste, que pode ser conseguido com aumento da
quantidade de luz. É importante frisar que aos 60 anos precisamos de,
pelo menos, iluminação três vezes maior do que aos 20 anos. Vários dos
leitores já devem ter sentido na pele, quando vão a restaurantes, a
necessidade de esticar o braço ao máximo na tentativa de colocar o
cardápio em foco ou mesmo os pedidos de ajuda na hora de preencher
cheque. A presbiopia, a chamada "vista cansada", já exige esforços
extras dos que tem seus 50 anos, o que dirá se a iluminação não
corresponder ao mínimo necessário. A boa iluminação, em suma, é aquela
que oferece quantidade de luz e contraste suficiente para a realização
das tarefas. A má iluminação é a que causa ofuscamento ou não permite
reconhecer os detalhes.
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Capítulo à parte se aplica à boa
iluminação no ambiente de trabalho. A maioria das organizações já
percebeu que um ambiente agradável é benéfico para a motivação dos
funcionários e resulta no aumento da produtividade e retenção de
talentos. Reverberando o que já citamos acima, um dos itens ambientais
mais importantes quando falamos de local de trabalho é a iluminação, que
pode conduzir os trabalhadores a um melhor desempenho, menor número de
erros e maior segurança contra acidentes. Só para se ter uma idéia,
diversos estudos demonstram que a iluminação adequada melhora em 20% a
produtividade por aumentar a velocidade com que as tarefas são
realizadas.
Em casa, para conseguir um ambiente funcional e
confortável em termos de iluminação, a dica é o uso de camadas de luz,
ou seja, além de uma luz básica que ilumine todo o ambiente, é bom usar
fontes auxiliares como abajur ou luminárias em pontos específicos. Isso
permite eliminar sombras e reflexos. As persianas nas janelas também dão
a chance de controlar a entrada de luz natural, que pode ajudar
bastante. Claro que se existem dificuldades no trabalho, optar por uma
dessas fontes auxiliares pode ser uma boa pedida.
A boa
iluminação, portanto, é peça fundamental para que a oftalmologia consiga
desempenhar seu melhor papel. Poder relacionar as espetaculares
inovações tecnológicas por que passa a profissão com situações simples e
básicas como a boa iluminação aponta a importância de algo que pouca
gente percebe: os benefícios de ter a luz na medida certa.
Viva bem e feliz!